terça-feira, 19 de Junho de 2007

As cuscas da aldeia


(Inspirado no Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente.)

Entra no cais a D. Isaura, uma típica coscuvilheira de aldeia, com um lenço preto na cabeça, um terço nas mãos e um moderno aparelho auditivo no ouvido.

Diabo: Seja bem aparecida, D. Isaura! O que a traz por cá?
Isaura: Pois, chegou a minha hora, tenho a certeza de que vou deixar imensas saudades!
Diabo: Oh! Sim! Se eu tivesse uma velha arrogante e chata a coscuvilhar a minha vida, certamente que iria sentir muito a sua falta!
Isaura: Como se atreve a dizer isso? Respeitinho é muito bonito e recomenda-se no seu caso!
Diabo: Mas quer que lhe diga, todos os seus pecados?
Isaura: Eu, pecados?! Católica praticante, baptizada e casada pela Igreja?!
Diabo: Sim! A senhora, a maior coscuvilheira da aldeia, que tem filhos ilegítimos e que anda nos bailaricos sempre que pode!
Isaura: Olhe, não vim para aqui para ser acusada de coisas que não fiz. Adeus e até ao dia de S. Nunca á Tarde!
Ó rapaz, chega aqui!
Anjo: Que queres?
Isaura: Ir para o Paraíso!
Anjo: Achas-te digna de tal mérito? Já não te lembras dos teus pecados?
Isaura: Então, Senhor! Tenho pecados?
Anjo: Já não te lembras daquele mandamento: “Não levantar falsos testemunhos”?
Isaura: Claro que sei, eu ia á missa todos os dias.
Anjo: Mas isso não chega, para entrar na barca do Paraíso
Isaura: Ó Diabo! Isto já me está a correr mal!! Bem, vou voltar à Barca do Inferno. Ó tu, com a forquilha na mão!
Diabo: Isto não é uma forquilha, é um tridente para te torturar. Mas o dia de S. Nunca á Tarde já chegou?
Isaura: Estou muito confusa, ninguém me quer levar.
Diabo: Entra aqui na minha Barca!
Anjo: Espera, ela não tem pecados suficientes, a solução é levá-la para o Purgatório.
Isaura: Então, adeus, avisa-me quando a minha amiga Amélia chegar, ela deve ter histórias fantásticas para me contar!
Diabo: Mas que raio! Será que hoje não levo ninguém?!! Esta velha ia dar um bom torresmo, lá no Inferno! Mas, enfim!



Trabalho realizado por:
Alexandra Carvalheira ( nº.1),
Daniela Bastos (nº.7) e
Joana Ribeiro (nº. 14) - todas do 9ºB

“Auto da Barca do Inferno”


A peça “ Auto da Barca do Inferno” foi apresentada no dia 10 de Maio, no âmbio da Semana de Teatro de Sever do Vouga, e foi concebida por alunos da nossa escola.
As personagens que intervinham a peça eram o Diabo, o Anjo e a Alcoviteira e as suas roupas e os adereços usados revelavam muita criatividade e eram engraçados. A iluminação estava boa, pelo contrário a voz não se ouvia lá muito bem, devido também ao barulho de alguns espectadores.
No som, no início houve uma falha, mas depois tudo correu bem. Eu digo que o som não correu muito bem, porque em determinadao momento momento a personagem ainda não estava em palco e a sua música já estava a tocar. Apesar deste momento menos positivo, o Diabo (que era a personagem que esteve inicialmente em palco) improvisou muito bem, enquanto esperava.
Acho que os actores se mantiveram muito à vontade em palco e a expressividade utilizada nas palavras e nos gestos foi boa.
Pessoalmente gostei da peça, embora considere que os diálogos poderiam estar mais elaborados.
Uma vantagem que o teatro tem é que tudo o que os actores façam, mesmo que isso corresponda a falhas, é visto pelos espectadores ficam como fazendo parte do próprio teatro e isto beneficiou estas actrizes, penso que esse é a magia do teatro!!!

quinta-feira, 14 de Junho de 2007

Formas de Frase

aqui a teoria sobre este assunto e realiza os exercícios aí propostos.

Em relação às marcas que nos permitem identificar a forma enfática, recorda as seguintes palavras ou expressões destacadas nas frases seguintes. São expressões de realce (ou enfáticas):

Eu vou para casa.
por ela, não há problema.
Ele é que é simpático.
Eraque eu era feliz.
Fui eu que fiz este trabalho.
Vou mas é estudar para o exame.

Mais exercícios sobre este assunto aqui.

segunda-feira, 11 de Junho de 2007

Exame Nacional

Olá!

Quando te estiveres a preparar em força para o Exame Nacional de 9º ano:
  • espreita aqui, na coluna da direita, as páginas que estão na secção "Exercita os Teus Conhecimentos". São páginas feitas por professores e algumas têm explicações sobre assuntos em relação aos quais poderás ter dúvidas; outras, para além de explicações, têm exercícios e até soluções para os mesmos!
  • não te esqueças que o exame incide sobre a matéria que abrange os 7º, o 8º e o 9º anos. Por isso, procura lá em casa as fichas informativas e de trabalho que os professores te foram dando ao longo destes três anos e consulta também os cadernos de actividades/exercícios. Mas não consultes só, tenta resolvê-los, nem que seja mentalmente...
  • vai ao sítio do GAVE e aí encontrarás

*informações sobre a prova deste ano (clica aqui)

*as provas de 2005 (clica aqui e aqui )

*as provas de 2006 (clica aqui e aqui )

  • se tiveres dúvidas, coloca-as aqui na caixa de comentários do blogue que eu tentarei responder logo que possa, combinado?

O Principezinho




Em “O Principezinho”, peça teatral inspirada no livro homónimo de Antoine de Saint-Exupéry, representada por alunos do Clube de Teatro da Escola Secundária de Sever do Vouga, o Principezinho, habitante de outro planeta, resolve partir numa viagem que o leva até ao nosso planeta, a Terra. No caminho conhece vários personagens, tais como a serpente, o empresário, o camionista e o bêbado. Todos eles têm algum ensinamento, bom ou mau, a transmitir ao pequeno Príncipe, tal como ele tem lições a ensinar a cada um desses personagens.
Apesar de amadores, os pequenos actores que representaram esta peça, no passado dia 21 de Maio, revelaram um grande à vontade e também alguma experiência em palco. A peça de teatro cativou, e de que maneira, os espectadores. Cativante foi igualmente o facto de o Principezinho, com a sua visão simples, tentar compreender o complicado mundo dos adultos, de forma enternecedora e sincera, como só uma criança pode ser.
As interpretações das passagens desta peça teatral são tão diversas que é praticamente impossível enumerá-las todas. Isto acontece porque cada espectador interpreta essas passagens conforme o seu íntimo, como que aplicando a regra que a Raposa transmitiu ao Principezinho: “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.” Consoante as partes desta peça de teatro, ora sorrimos, ora ficamos mais pensativos.
Um espectáculo teatral encantador e inesquecível. Foi, sem dúvida, um dos melhores representados, em 2007, na Semana do Teatro de Sever do Vouga.








Marta Costa

segunda-feira, 4 de Junho de 2007

Noites no Sótão


Autora: Maria Teresa Maia Gonzalez
Editora: DIFEL (Difusão Editorial, S.A.), Setembro, 2001

A autora

Maria Teresa Maia Gonzalez nasceu em Coimbra, em 1958. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, variante de estudos Franceses e Ingleses, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi professora de Português no ensino oficial e particular.
Juntamente com Maria Rosário Pedreira, a autora escreveu a colecção “O Clube das Chaves”. É ainda autora da colecção “Profissão: Adolescente” e de muitos outros livros, entre os quais A Lua de Joana e Alguém Sabe do João? (da colecção “Profissão: Adolescente”).

Resumo da história: Noites no Sótão é um livro que retrata uma família destruída por um pai alcoólico que bate na mulher e nos filhos. Dinis, o filho mais velho, sai de casa e processa o pai após se ter envolvido em mais um conflito com este.
Dinis vai viver para casa do melhor amigo e recebe o apoio dos avós maternos. A pedido da família que Dinis adora (a mãe, o irmão mais novo e a irmã), Dinis desiste do processo contra o pai, que volta a ser violento.
Após novas sessões de agressões, a mãe de Dinis toma uma posição e chama a polícia, indo viver com os filhos para outro lugar. A história acaba com o pai desolado na casa que agora está praticamente vazia, sem família, enquanto que Dinis encontra o amor nos braços de Maria.

Frases de que mais gostei:
“(…) Mas a mesa lá ficou. Como as lágrimas de Dinis. Como uma boa parte da sua alma e da sua infância (…)”
– Página 32.
Esta frase agrada-me porque é nesta frase que o sótão é retratado. Este espaço é marcado pelo sofrimento e tristeza de Dinis e leva-o a querer que as memórias do passado dele (enquanto criança) ainda se revelem no presente.

“(…) Só que ao contrário da mãe (que apenas chorava e gemia baixinho), o Dinis, lutando contra o medo, esbracejava, pontapeava, gritava com toda a força e retribuía os insultos do pai, defendendo-se até ao limite das suas capacidades (…)” – Página 47.
Esta frase é do meu agrado porque expressa a coragem que uma simples criança pode ter para defender a mãe. Sinto-me, em certas partes, familiarizada com esta situação por isso esta frase exprime também um pouco das minhas ideias e memórias.

“(…) A dor mais real é a de sabermos que ninguém pode adiar o sofrimento (…) a dor real é aqui e agora (…)” – Página 84.
Quase um ditado, esta frase passou a ser um dos meus lemas a partir do momento em que a li. Porque dá uma noção do que é a dor real, porque me dá uma noção daquilo que muitas vezes sinto, esta frase faz parte das que mais gosto

Opinião crítica:
Tal como aconteceu com os outros livros desta autora que já li, gosto muito deste livro porque expõe a situação e a realidade do que, infelizmente, acontece com muita gente. Além disso, Noites no Sótão informa-nos de um problema, mas dá-nos também solução. Uma solução que inspira fé e coragem. Uma solução que muitas pessoas precisam de saber que existe. Porque quando a violência começa não acaba. Nada mudará enquanto as vítimas não tomarem uma posição, erguerem a cabeça e derem asas à coragem que nelas se encontra. Esta história sugere todos estes ideais.

Para além de tudo isto, há várias associações que ajudam as vítimas a ganharem coragem: a APAV é uma delas. (para saberes mais sobre esta associação, clica aqui.)

A viagem de Guanes a Retortilho


...no conto “O Tesouro”, de Eça de Queirós

Guanes seguia caminho, como combinado até Retortilho.
Não era muito longe, contudo o tempo parecia parado.
A cada minuto que passava Guanes acordava mais para a sua descoberta; ia reflectindo acerca desta. A ideia de que a sua vida e a dos seus irmãos iria mudar com este achado começava a instalar-se na mente de Guanes.
Entre ideias flutuantes no pensamento do mais magro dos irmãos de Medranhos, outros sonhos vagueavam-lhe na cabeça. Que poderia ele fazer com tal tesouro, com tal riqueza? Oh sim, ele conseguia ver o seu futuro perante si: um grande salão de jogos… com jogos de cartas e dados, claramente! Um grande casarão, com telhas e janelas, ao contrário da sua miserável casa actual. Talvez, pensando melhor, um casarão não… um castelo! Um palácio! Assim estaria mais do seu agrado. Teria, no seu lar, uma fogueira acesa para manter a casa quente e acolhedora, no Inverno. Claro que a fogueira não seria acendida por Guanes, mas sim por criados e outros servidores, todos à sua disposição. Teria uma mulher esbelta e elegante e filhos para manter a sua descendência aberta. Nisto, o seu subconsciente alertou-o para o facto de estar doente, gravemente doente. Tristeza das suas alegrias, esta doença era incurável e Guanes sabia-o. Mas, como estava rico, esta lembrança foi como que, quase, apagada do seu registo de memórias. Por fim lembrou-se de algo que não participava nos seus sonhos! Os seus irmãos. Em parte nenhuma eles estavam. Claro! Os seus irmãos não iriam ser necessários…
Cada um gastaria o que lhe pertencia. Não lhe iam fazer falta de modo nenhum.
O facto de estar doente acorreu-lhe de novo à ideia, como se tivesse sido restaurado. Desta vez recuou antes de tentar esquecer algo de tal importância.
E se não tivesse tempo de gastar todo o seu dinheiro? Iria alguém gastá-lo por ele com certeza… E se os seus irmãos se aproveitassem da sua debilidade para o roubar?
Agora via que, comparado com os seus parentes, não passava de um mero rapaz franzino, fraco e fácil presa ao lado de seus irmãos. O medo assombrou-o por instantes. Podiam matá-lo enquanto dormia… e se morresse por qualquer outro motivo, era óbvio que os beneficiados seriam eles com a parte do tesouro de Guanes! Podia não realizar todos os seus projectos, podia não adquirir tudo aquilo de que sempre se achara merecedor! Tantas ideias assustadoras começavam a mexer com Guanes. Cego pela ambição, a ganância aumentava-lhe uma fúria sem fim dentro dele. Rugia como um tigre esfomeado. Era já claro para ele que os seus ferozes irmãos lhe iriam fazer algo. Rui, o mais avisado, seria inteligente ao ponto de roubar o próprio irmão; seria capaz de mais do que isso, desconhecia ainda Guanes.
Chegara já a Retortilho. Cedeu à vontade de eliminar os seus irmãos, mesmo que essa ideia o destruísse por dentro, mas o tesouro seria um bem demasiado valioso para ser gasto pelos seus medíocres irmãos…
Desmontou da água e dirigiu-se à taberna mais próxima, bebeu algo para acalmar a agitação em que se encontrava. Bebeu e bebeu, mas a sua sede de vingança e ganância continuava sóbria e acesa como uma fogueira cheia de lenha por onde arder.
Já fora da taberna, Guanes vislumbrou uma velha feia, talvez bruxa, coberta por um casaco velho e esfarrapado que cobria o seu rosto com um largo capucho. Dirigindo-se a Guanes entregou-lhe um frasco na mão, com um líquido vermelho como sangue no seu interior. Tratava-se de veneno. A velha senhora, provavelmente uma feiticeira, abandonou Guanes com a sua oferta e desapareceu por entre a multidão. Guanes tinha entendido a “mensagem”. Sacou da algibeira as garrafas onde misturou aquele líquido avermelhado. Sob um impulso e um instinto animalesco, montou a égua e regressou o mais rapidamente que pôde.
Já na mata de Roquelanes desmontou, ignorando que alguém o observava desde longe. Apenas se deu conta tarde de mais.
Triste fim, poder-se-ia pensar. Talvez, não tivesse Guanes, o mais franzino dos irmãos de Medranhos, reservado uma surpresa na comida…

Ana Mendes
Nº3 / 9ºB

domingo, 27 de Maio de 2007

Adamastor

Homem do Leme

Xutos & Pontapés


Sozinho na noite
um barco ruma
para onde vai.
Uma luz no escuro
brilha a direito
ofusca as demais.

E mais que uma onda,
mais que uma maré...
Tentaram prendê-lo
impor-lhe uma fé...
Mas, vogando à vontade,
rompendo a saudade,
vai quem já nada teme, vai
o homem do leme...

E uma vontade de rir
nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir,
correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...

No fundo do mar
jazem os outros,
os que lá ficaram.
Em dias cinzentos
descanso eterno
lá encontraram.

E mais que uma onda,
mais que uma maré...
Tentaram prendê-lo,
impor-lhe uma fé...
Mas, vogando à vontade,
rompendo a saudade,
vai quem já nada teme,
vai O HOMEM DO LEME...

E uma vontade de rir
nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir,
correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...

No fundo horizonte
sopra o murmúrio
para onde vai.
No fundo do tempo
foge o futuro,
é tarde demais...

E uma vontade de rir
nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir,
correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...



Post Scriptum: O que tem esta letra, esta música a ver com o episódio do Adamastor e/ou com o poema "O Mostrengo", de Fernando Pessoa? Deixa a tua opinião na caixa de comentários. Não te esqueças de reparar no sentido conotativo, metafórico, simbólico das palavras...

quarta-feira, 16 de Maio de 2007

A Lua de Joana


Autora: Maria Teresa Maia Gonzalez.
Editora: Editorial Verbo.

Biografia da autora:


Maria Teresa Maia Gonzalez é uma escritora portuguesa nascida em Coimbra, em 1958. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Franceses e Ingleses, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi professora de Língua Portuguesa de 1982 a 1997.


Outros livros da mesma autora:

O Guarda da Praia e A Fonte dos Segredos



Resumo da obra:

O mundo, por vezes, vira-se contra nós e tudo nos parece desagradável, frustrante…A Joana era uma rapariga na fase da adolescência que perdeu a sua melhor amiga, a Marta, e decide escrever-lhe e confidenciar-lhe a sua vida.
A Joana não tem uma vida fácil, a família não lhe presta muita atenção, à excepção da sua avó, que realmente a ouvia mas que mais tarde veio a falecer. Com o tempo, a Joana aproximou-se da família da Marta que ainda continuava a sofrer a sua morte. Ao relacionar-se com Miguel, irmão da Marta, juntou-se a novas pessoas. Teve necessidade de experimentar as mesmas sensações que a amiga e de perceber por que a Marta a tinha deixado “daquela” forma. Certo foi que a Joana acabou por obter a resposta da pior forma. Ela começou a consumir droga.
A Marta morrera por consumir droga e a Joana, ao tentar entender a amiga, teve o mesmo final.



Frases a recordar:


“Às vezes em sonho triste


No meu desejo existe


Longinquamente um país


Onde ser feliz consiste


Apenas em ser feliz” (pág.120)


Foi a primeira vez que li este excerto de Fernando Pessoa e gostei bastante. Nestes versos transmite-se tudo aquilo que a Joana queria: um refúgio, que era muitas vezes a sua Lua branca que tinha no quarto. Não há regras para se ser feliz, cada um é feliz à sua maneira e ninguém tem nada com isso, daí que ser feliz seja tão relativo que se torne simples. Todos temos esse desejo, principalmente quando não somos felizes, porque quem já o é só tem de saber conservar e continuar a saborear a felicidade.



“Encolheu as pernas lentamente e fixou os olhos inchados naquele baloiço estranho suspenso no tecto em forma de lua. Desapertou a correia do relógio e pousou-o devagar sobre a mesinha. Agora, tinha todo o tempo do mundo. Para quê?” (pág.157)



Depois de durante tanto tempo o pai de Joana achar que todos os minutos tinham de ser bem aproveitados no trabalho, quando as cartas que a Joana escreveu foram lidas por ele, compreendeu que todos aqueles minutos, afinal, tinham sido desperdiçados. Aquilo que realmente merecia tempo, a Joana, não o teve. O pai da Joana percebeu tarde demais o que tinha valor para si. Adorei este final surpreendente da história.



Comentário pessoal:


Sem dúvida foi o melhor livro que li. Gostei da originalidade, do mistério, das lições de vida, dos sentimentos que se foram desencadeando, entre muitas outras coisas. É todo o livro um reflexo da sociedade em que estamos a viver. Reflecte uma mudança constante de personalidade nos adolescentes, uma procura de si e dos outros, há quem se dê bem e quem se dê mal com essas mudanças, mas sobretudo há quem saiba escolher o melhor, quem se deixe levar pelo outros e quem desafie o incorrecto. Por fim, é um livro que recomendo a todos aqueles que gostam de ler e até àqueles que gostam menos, pois é surpreendente.
Este texto é da Joana Martins, do 9ºB!

terça-feira, 1 de Maio de 2007

"Ridendo Castigat Mores"

Portugal século XXII, Luís Afonso
in «Pública», supl. Do jornal
Público, 17/08/2003
Luís Afonso, cartunista dos jornais "Público" e "A Bola", por exemplo, também nos procura fazer pensar, divertindo-nos ao mesmo tempo . Que comportamentos pensas que são criticados através do "cartoon" acima reproduzido?

segunda-feira, 30 de Abril de 2007

"Ridendo Castigat Mores"

Comentário à frase:

No Auto da Barca do Inferno, Gil Vicente associa o cómico à crítica para pôr a nu as contradições na vida de algumas personagens e para moralizar os costumes.


Na sua obra, Gil Vicente repreende a desonestidade das personagens que representam a sociedade do seu tempo. Como forma de descompressão, insere simultaneamente na sua peça alguns momentos de divertimento. Com isto, o dramaturgo pretende fazer o público reflectir sobre os seus comportamentos, melhorando-os.

As principais críticas de Gil Vicente referem-se à dissimulação das personagens, como se pode comprovar na cena do Frade, pois este representante da fé cristã tem comportamentos completamente contraditórios com os princípios da Igreja, como, por exemplo, ter uma amante e gostar de lutar. Outro exemplo de tal contradição é igualmente a cena do Sapateiro, pois este, apesar de contribuir com esmolas para ajudar os mais desfavorecidos e ser, aparentemente, um praticante da religião, explora o povo, classe à qual pertence, através da sua profissão.

Na tentativa de aliviar o carácter crítico da obra, o autor recorre a três tipos distintos de cómico: cómico de linguagem, de situação e de carácter. As duas personagens que utilizam mais frequentemente o cómico de linguagem são o Parvo e o Diabo: o Parvo através do calão e o Diabo, recorrendo à ironia. Um bom exemplo de cómico de situação é o momento em que o Fidalgo pede para voltar à vida terrena, facto impossível, visto que este acaba de falecer. Brísida Vaz, assumindo-se como mártir e santa, cria cómico de carácter, pois é uma das personagens que pratica os pecados mais mal vistos na sociedade do seu tempo.

A intenção de Gil Vicente ao escrever e pôr em cena esta peça é levar o público a ponderar as suas atitudes e, se for o caso, corrigi-las, de forma a melhorar a sociedade.

Concluo que através da crítica e do cómico, Gil Vicente conseguiu apontar os principais defeitos da sua sociedade e fazer os seus espectadores pensarem nos seus pecados de modo a tentarem evitá-los.

Raquel Plácido, 9ºC

quarta-feira, 28 de Março de 2007

A Raquel... no futuro.

Tenho vinte e quatro anos. Eis que acabei o curso de Biologia. Encontro-me a estagiar num instituto em Aveiro. Esta é hoje uma cidade bastante desenvolvida. Também Portugal se desenvolveu muito na área da Biologia. Em todas as cidades há laboratórios e institutos de investigação.

Após o fim do curso, saí da residência universitária, razão pela qual comprei um apartamento no centro de Aveiro, onde vivo sozinha. Embora tenha bastante trabalho, frequentemente vou a Sever do Vouga, pois tenho lá a minha família. E como a vida não é só feita de trabalho, às vezes também saio com os meus amigos. E uma vez que tanto eu como a minha irmã, que tem dezasseis anos, adoramos passear e ir juntas às compras, também se arranja um tempinho para estes programas a duas.

Espero encontrar brevemente um emprego seguro na área da investigação e fazer uma descoberta importante, contribuindo assim para o progresso científico.

Raquel Plácido, 9ºC

Reclamação do Anjo Miguel


Anjo Miguel
Rua da Salvação,
4000-004, Cais Infernal

Telefone: 000123321

Deus Todo Glorioso
Rua da Glória
0001-001, Paraíso

Cais Infernal, 12 de Fevereiro de 1516

Ex.mo Senhor Todo Poderoso,

Venho, por este meio, comunicar a Vossa Excelência o meu descontentamento com as minhas funções, o qual se vem a agravar há algum tempo, tendo atingido o seu máximo no passado dia 10 de Fevereiro.

Visto que há poucos seres de boa moral, dignos de embarcarem em barca tão divinal como esta , considero que se torna aborrecido e desnecessário o meu posto. Agravando esta situação, por vezes, sou incomodado por algumas pessoas que, para além de terem vivido toda a vida pecando, ainda têm a ousadia de tentarem persuadir-me para as salvar.

Estes factos provocam-me algum transtorno, pelo que peço a Vossa Omnipotência que reduza o meu horário de trabalho.

Com os melhores cumprimentos,

Anjo Miguel
Raquel Plácido, 9ºC

Os Lusíadas de Luís de Camões Contados às Crianças e Lembrados ao Povo – Adaptação em Prosa de João de Barros


Autor: João de Barros
Título: Os Lusíadas de Luís de Camões Contados às Crianças e Lembrados ao Povo – Adaptação em Prosa de João de Barros
Ilustrador: Martins Barata
Editora: Livraria Sá da Costa Editora
Data da publicação: 2001
Número de páginas do livro: 214

Sobre o autor
Biografia:
João de Barros nasceu na Figueira da Foz, a 4 de Fevereiro de 1881.
Estudou Direito, dedicou-se à política, acabando por se entregar às Letras.
Em 1945 foi condecorado e dedicou os últimos anos de vida à adaptação em prosa de grandes obras, tendo falecido em 1960, em Lisboa.
Outra bibliografia deste autor: Portugal e Terras do Atlântico.


Sobre o livro
Resumo:
Este livro narra-nos a viagem da frota portuguesa de Vasco da Gama à Índia.
Após várias traições em terras africanas, os valentes marinheiros portugueses, apesar de bastantes dificuldades enfrentadas, vão além do Bojador.
Terminadas as tormentas, a frota de Vasco da Gama é acolhida em Melinde, onde lhe é concedido um piloto que os guiará à Índia.
Chegados ao ambicionado destino, Vasco da Gama informa o Imperador indiano das suas intenções.
Baco, inimigo de Portugal, vendo que o Imperador confiava nos portugueses, faz com que, em Calecute, corra o boato das más pretensões lusitanas. Não obstante, Vasco da Gama consegue provas de que esteve em terras tão longínquas e volta a Portugal.
Durante a viagem de regresso, param na Ilha dos Amores, onde foram recebidos por nereidas e homenageados com banquetes. Tétis, rainha das nereidas, narra a Gama feitos futuros dos lusitanos.
Disfrutado o prémio de tão heróica viagem, a frota regressa a Lisboa, onde é recebida com admiração e alegria.

Duas citações a recordar:

1) “Era realmente a Índia, a Índia que os Portugueses buscavam, e que enfim alcançavam depois de obstinados e rudes trabalhos.”
Escolhi esta frase, porque é aqui que finalmente os lusitanos conseguem alcançar o destino tão desejado e pelo qual tanto lutaram.

2) “Glória ao povo de Portugal! Glória também ao Poeta que – braços às armas feito, mente às Musas dada – soube viver, trabalhar e combater pela Pátria, e imortalizar em versos de incomparável beleza a energia, o esforço, os feitos e os triunfos jamais igualados da ocidental gente lusitana!”
Escolhi este parágrafo, porque ele nos mostra o valor de Luís Vaz de Camões e da sua obra e também o esforço dos marinheiros portugueses.

Opinião crítica sobre a obra:
Este livro é muito interessante. Além de contar de forma clara a viagem de Vasco da Gama e da sua frota à Índia, mostra-nos o valor e a coragem das gentes lusitanas, que em tão más condições realizaram uma dificílima viagem, conseguindo um feito nunca antes alcançado.
É igualmente extraordináro como Luís Vaz de Camões, há cinco séculos atrás, compôs uma magnífica obra como aquela de que esta é a versão em prosa.
O livro está escrito numa linguagem acessível, o que é bom, porque nos vai ajudar a melhor entender a obra em verso quando a estivermos a estudar.
Faz-nos também ter orgulho nos nossos antepassados.
Raquel de Bastos Plácido, 9ºC, nº 18

sábado, 17 de Março de 2007

A Margarida Má também reclama




Maria Margarida Má
Rua das Forquilhas,17
3760-254 Inferno
Telefone: 265 779 812


Lúcifer Mendes Diabo
Rua do Fogo,231
4750-210 Inferno



Inferno, 3 de Janeiro de 1820.



Ex. mo Senhor do Fogo e da Maldade,

Venho, por este meio, comunicar a Vossa Excelênciam que o Vosso Diabo João me tem tratado muitíssimo mal, pois trabalho longas horas por dia e apenas recebo uma terça parte do ordenado que ficou estipulado quando me contrataram para ser sua companheira.

Eu já lhe expliquei a minha versão, mas ele só me diz para eu trabalhar.

Eu adoro ser sua companheira, mas se esta situação se prolongar eu vou ter uma depressão nervosa e mental muito grave! E o pior é que o dinheiro que recebo não dá nem sequer para comprar os meus produtos de beleza.

Lúcifer, imploro a Vossa Excelência que fale com o Diabo João e lhe explique a minha situação, fazendo com que ele se arrependa, dando-me assim todo o dinheiro em atraso mais setenta porcento de juros, para me compensar por todos os meus tormentos.

Com os melhores cumprimentos,


(Maria Margarida Má)



Alexandra Carvalheira, 9ºB

quarta-feira, 14 de Março de 2007

Esperança



Esperança:
isto de sonhar bom para diante
eu fi-lo perfeitamente,
Para diante de tudo foi bom
bom de verdade
bem feito de sonho
podia segui-lo como realidade


Esperança:
isto de sonhar bom para diante
eu sei-o de cor.
Até reparo que tenho só esperança
nada mais do que esperança
pura esperança
esperança verdadeira
que engana
e promete
e só promete.
Esperança:
pobre mãe louca
que quer pôr o filho morto de pé?

Esperança
único que eu tenho
não me deixes sem nada
promete
engana
não me deixes sozinho
esperança.


Almada Negreiros


(Mais um belíssimo poema escolhido pela Alexandra Carvalheira. O desenho que o antecede é também de Almada Negreiros.)

Respiro o teu corpo




Respiro o teu corpo:
sabe a lua –de -água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.

Eugénio de Andrade
(poema escolhido pela Alexandra Carvalheira, 9ºB, nº1)

quarta-feira, 7 de Março de 2007

Entrevista ao Onzeneiro


Bom dia! Hoje irei entrevistar um pobre homem que enquanto vivia emprestava dinheiro cobrnado excessivos juros: o Onzeneiro ainda recorda os tempos em que enganava as outras pessoas e por causa disso teve um miserável destino: o Inferno!

Íris:Senhor Onzeneiro, muito bom dia! Para começar, como era o seu comportamento enquanto vivo?
Onzeneiro: Bem eu não sei por onde começar: eu era muito ganancioso e corrupto, explorava os meus semelhantes e tinha um grande apego ao dinheiro...ah! e tinha sempre dinheiro comigo para tudo o que queria, com ele eu subornava os outros. Ah! Eu era um grande homem, não sei por que vim para o Inferno,deve ter sido algum engano,com certeza.

I:Há uns segundos o senhor afirmou que subornava os outros...
O:Exactamente!
I: ...mas por que razão?
R:Vê-se mesmo que a senhora não percebe nada da profissão de usurário! Quanto mais eu subornava, mais dinheiro ganhava, logo melhor eu estava na vida.

I:Durante a filmagem do seu percurso da Barca do Inferno para a Barca do Anjo e vice-versa, os nossos telespectadores terão certamente reparado que o senhor tinha alguma confiança em embarcar na Barca do Anjo. Como sabia se ia ou não ser esse o seu destino?
O: Simplesmente porque eu fui um grande homem, que sempre tive tudo o que quis graças ao dinheiro, como é óbvio. Sempre quis ir para o Paraíso, mas como não trouxe dinheiro comigo não pôde ser, não o tinha para oferecer ao Anjo.

I:Por último, gostava de saber se se arrependeu do que fez na sua vida terrena?
O:Nem por isso, até fazia tudo outra vez,a inda não percebi o mal que fiz. Como disse há pouco, eu fiz tudo de bom enquanto vivia, só vim para o Inferno por causa de um pequeno descuido:a ausência do dinheiro para o Anjo...

Muito obrigado pela sua colaboração. Bom dia!
A partir desta entrevista concluímos que o Onzeneiro é muito pouco consciente por não saber o que fez para ser condenado a ir para o Inferno e por não estar arrependido. É caso para dizermos: grande vida terrena, miserável vida eterna.

Íris, 9ºB

Reclamação do Companheiro do Diabo a Lúcifer


De:
Ambrósio da Silva Pinto Infernal
Rua das Barcas dos Dois Destinos, nº1
3888-883- Inferno

telef. 239543989

Para:
Lúcifer Arriga das Almas Perdidas
Rua dos Condenados e Chamuscados, nº0
3999-993-Inferno


Inferno, 31 de Fevereiro de 1500

Ex.mo Senhor Lúcifer,

Venho, por este meio, informar Vossa Excelência de que sou tratado da pior maneira pelo Vosso filho, o Diabo.

Cada vez que eu lhe obedeço, ele chicoteia-me, não sei por que razão o faz, mas é a verdade. Nunca me deixa descansar e quase nunca me deixa comer.

Não sei se o Senhor também tem estas atitudes, mas o certo é que eu estou a solicitar a Vossa Excelência que faça qualquer coisa: ou despedi-lo, ou torturá-lo ou até ser o Senhor a mandar em mim em vez de ser o Diabo.

Espero que aceite o meu pedido.

Os melhores cumprimentos do seu seguidor,

Ambrósio da Silva Pinto Infernal

Íris, 9ºB

terça-feira, 6 de Março de 2007

Ler devia ser proibido

Onde está a ironia deste vídeo? Dá a tua opinião nos comentários.

sábado, 3 de Março de 2007

A Dilsa, no futuro

Nunca sabemos o que o futuro nos reserva, contudo podemos sempre imaginar e sonhar possíveis situações que nos possam acontecer.

Daqui a dez anos imagino-me com um bom curso, visto que é isso que pretendo. Poderia partilhar casa com uma amiga, um colega de trabalho, ou mesmo viver sozinha.

Se a minha área profissional for relacionada com Psicologia, ajudarei as pessoas, far-lhes-ei ver que há sempre uma solução para os problemas. Se eu seguir Química, estudarei e trabalharei para descobrir algo que seja útil às pessoas. Também poderia seguir Biologia, dedicando-me à natureza e a proteger o meio ambiente, pois o nosso planeta está a ser destruído pelo ser humano e são poucas as pessoas sensibilizadas para isso.

Mas, para além do trabalho, gostava de fazer vários amigos, divertir-me, desfrutar ao máximo e também nos meus tempos livres praticar desporto.

É certo que cada pessoa imagina um futuro diferente, mas o mais importante é ser feliz.

Dilsa Bastos, 9ºB, nº8

Os Lusíadas de Luís de Camões, Contados às Crianças e Lembrados ao Povo



Dados Bibliográficos:

Autor: João de Barros
Título: Os Lusíadas de Luís de Camões Contados as Crianças e Lembrados ao Povo
Iilustrador: Martins Barata
Editora do livro: Livraria Sá da Costa Editora.
Data da publicação: 2001 (49º edição)
Número de páginas do livro: 215

Biografia do Autor: João de Barros nasceu em Amarante a 4 de Fevereiro de 1881 e faleceu em 1960, em Lisboa. Foi poeta e pedagogo português. Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Defendia muito as relações de amizade entre Portugal e o Brasil. O poeta era apaixonado pelo mar.

Outras Obras do autor:
A Ilíada de Homero
Crónica do Condestável

Sobre a obra

Resumo
O povo português desejava descobrir o caminho marítimo para a Índia. Certo dia, um grupo de marinheiros pôs-se a caminho, tendo como capitão Vasco da Gama.

Durante a viagem fizeram paragens em Moçambique e Mombaça, onde foram mal recebidos.
Vénus, protectora dos portugueses, fez com que fossem para Melide, onde foram bem recebidos por um rei. Este, curioso, pediu ao capitão que contasse a história de Portugal.
Contada a historia os marinheiros partiram rumo à Índia. Passaram grandes dificuldades, pois desencadeou-se uma tempestade, porém esta passou e os portugueses avistaram terra, era a Índia!

A princípio, foram bem recebidos, porém depressa tudo mudou, levantaram-se calúnias sobre os lusitanos, mas no meio dos desentendimentos os portugueses conseguiram o que queriam, trocaram as suas mercadorias por especiarias da Índia que provavam que tinham estado mesmo lá.

De regresso, descansaram na Ilha dos Amores e de seguida continuaram viagem até que chegaram a Portugal, onde foram recebidos com grande admiração pelo povo e pelo rei.


Frases a recordar:
“ Só a coragem e a audácia dos Portugueses seria capaz da proeza heróica!” (pág. 16) – Escolhi esta frasem pois mostra como os portugueses foram heróis, corajosos e únicos.

“Ali, o sol repousa no Oceano” (pág. 53) – Escolhi esta frase porque é bela, pois sugere através da personificação o ponto cardeal Oeste, bem como a ideia de suavidade.

Comentário pessoal
Eu gostei desta obra, pois fala de um acontecimento histórico de Portugal, descreve as aventuras que os portugueses enfrentaram para conseguir o seu grande objectivo. Também porque retrata a coragem do nosso povo. Através desta obra foi-me possível conhecer melhor o pensamento e as atitudes dos povos que viveram há bastantes anos atrás, não só de Portugal, mas também de outros locais, de outros continentes.


Ficha de leitura realizada por Dilsa Bastos, 9ºB, nº8

Poema escolhido pela professora

Senhora, partem tão tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

Tão tristes, tão saudosos,
tão doentes da partida,
tão cansados, tão chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.
Partem tão tristes, os tristes,
tão fora de esperar bem
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

João Roiz de Castelo-Branco, Cancioneiro Geral

Este é, para mim, um dos mais belos e trites poemas de amor da literatura portuguesa. Espero que vos agrade.

O Amor que Sinto

Poema de José Gomes Ferreira:

O amor que sinto

O amor que sinto
é um labirinto


Nele me perdi
com o coração
cheio de ter fome
do mundo e de ti
(sabes o teu nome)
sombra necessária
de um sol que não vejo,
onde cabe o pária,
a Revolução
e a Reforma Agrária
sonho do Alentejo.
Só assim me pinto
Neste Amor que sinto

Amor que fere,
chama-se mulher,
onda de veludo,
pátria mal-amada,
chame-se “amar nada”
chame-se “amar tudo”;

E porque não minto
sou um labirinto.
Escolhido pela Alexandra Carvalheira, 9ºB, nº1
P.S. Podes encontrar mais poemas deste poeta aqui. E, se puderes, lê As Aventuras de João Sem Medo, um romance fantástico deste autor que nos mostar que as coisas mais importantes na vida são a coragem e a liberdade.

sexta-feira, 2 de Março de 2007

Reclamação do Anjo

De:
Anjo Miguel
Barca do Paraíso
5390-823, Cais

Nº Telefone: 925806741
Para:
Deus, Todo Poderoso
Palácio da Fonte
3509-961, Paraíso

Cais, 9 Novembro de 1516

Ex mo Senhor Deus, Todo Poderoso,

Venho, por este meio, dar a conhecer a Vossa Excelência que, ao longo de todos estes anos que passei no cais, tenho permanecido várias horas em pé e a ouvir lamúrias de pecadores que querem o meu perdão.

Com tudo isto que se tem passado, eu estou a ficar com varizes nas pernas de estar tanto tempo em pé e, como se não bastasse, há horas infinitas em que não aparece uma única pessoa que seja digna de entrar na barca do Paraíso.

Para minimizar tal aborrecimento, espero que Vossa Excelência envie outro Anjo para ficar na barca, porque eu estou a precisar de tirar umas férias. ´

Sem outro assunto a tratar, peço deferimento e despeço-me,
Com os melhores cumprimentos,

Miguel
Trabalho realizado pela Isabel Loureiro, 9ºC

O Rúben Lobo está no futuro...

Há uns anos atrás, eu perguntava a mim mesmo como seria a minha vida no futuro, o que faria, onde, como e com quem viveria, o que faria nos tempos livres, entre outras coisas. Agora que cheguei ao “Futuro”, posso responder às minhas velhas questões, pois tenho 24 anos e já tenho a minha vida mais ou menos organizada.

Consegui completar os dois cursos que queria (pois não consegui escolher apenas um!), segui Criminologia e Engenharia Mecânica; entrei há dois anos no exército, coisa que queria desde muito novo.

Casei-me há quatro anos com uma mulher que amo perdidamente, com quem sou muito feliz e de quem não me consigo separar, pois não lhe resisto. Tenho dois filhos, dois rapazes gémeos de três anos de idade e que já são do Sporting. Vivemos os quatro numa vivenda com piscina à beira-mar, corte-ténis e mini-golfe.

Continuo a adorar o Tio Patinhas e não perco uma edição, tenho um sofá só meu onde vejo todos os jogos do Sporting e muitos filmes. Ainda pratico desportos, pois sempre os adorei e tenho uma colecção enorme de livros, de variadíssimos tipos.

Apaixonei-me pela minha vida e aproveito todos os momentos ao máximo. Quando paro para pensar, imagino como será a minha vida na velhice, onde morarei, se já tenho netos, se continuo no exército, com que idade morrerei…,continuo a imaginar o meu FUTURO.

quinta-feira, 1 de Março de 2007

Paixão

"Jovem lutando contra o amor", de William Bouguereau

A paixão é uma droga
que nos consome por dentro e por fora.
O coração tilinta por tudo e por nada,
Os olhos brilham e a saudade,
A alegria e a tristeza permanecem em nós.

Poema escrito pela Alexandra Carvalheira, 9ºB

A Alexandra e o futuro

De vez em quando ponho-me a pensar em como será a minha vida daqui a dez ou quinze anos. Será igual àquilo que eu tenho mais ou menos delineado? Ou será completamente diferente dos meus pensamentos, dos meus sonhos?

Em minha opinião, o futuro é mudança, ou seja, é um período da nossa vida em que tudo o que nos rodeia se vai modernizando, alterando, e hoje em dia é muito frequente apanharmos e encontrarmos mudanças e modernizações, nas coisas que compramos, em nós próprios, etc.
Por vezes, penso que vai haver uma enorme revolução a nível industrial, social, económico, mas noutras ocasiões penso que muito pouco irá mudar, não digo que a nível espacial e científico o planeta não se modernize, nem se desenvolva. Mas se calhar, a nível social, não irá mudar assim muito, pois decerto muitas pessoas não estão preparadas para enfrentar essa adrenalina que é o futuro.

Imagino que todo o nosso dia–a-dia dia será feito e controlado com máquinas, “robots” e computadores, cheios de “megas” e “gigas” para armazenar toda a informação que nós lhes inserimos; que para andar de automóvel será apenas necessário ligar a chave ou carregar num simples botão e ele andará sozinho, sem nós lhe tocarmos, levando-nos assim a todos os destinos que quisermos.

A nível pessoal, acredito que daqui a uns anos vou estar formada em Veterinária. Espero também viver com o meu marido e com os meus filhos, ter uma enorme casa, mas sobretudo ter uma vida organizada e estável - mas primeiro a vida profissional e depois então a vida amorosa.

E é assim que eu tenho o meu futuro idealizado. Porém, à medida que os dias passam, vou-me convencendo cada vez mais de que o futuro é feito por nós, pelos actos que praticamos aqui e agora, no Presente. Também penso que o Futuro não irá ser um “mar de rosas”, pois toda a nossa vida se vai cada vez mais complicando, visto que as responsabilidades vão sendo muito maiores.

Espero que o Futuro seja muito melhor do que é este nosso Presente. E acredito que assim será.
Alexandra, 9ºB

segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2007

Um poema do Filipe

Castanho…
É essa a cor dos teus olhos lindos
Que brilham como estrelas numa noite de Verão
E que me guiam até ao teu coração.

Castanho…
É essa a cor do teu cabelo liso
Em que um dia gostava de poder tocar
Mas tudo isto não passa de uma ilusão.

O teu rosto sempre alegre
Contagia qualquer pessoa que o veja
Eu e o meu coração.
Não fomos excepção.

As tuas mãos parecem seda
Sonho um dia poder lhes tocar
Mas tudo isso não passa de um simples e inocente sonho
Espírito invulgar
És tu minha única amada
Deixas-me uma mão na outra atada
Pela calada
Caminhas pelo meu corpo
Atravessas a minha alma.

Para: Tu Sabes!!!

Filipe de Bastos Martins 9ºB Nº11

O Anjo reclama com Deus


António Anjo
Coval
Couto de Esteves
3740-040 Cais


Telefone 234558749


Deus, Todo Poderoso
Esquerda porta nº5
3212-029 Céu
Telefone-234558595

Exmo. Senhor,


Venho, por este meio, comunicar a Vossa Excelência que, pelo menos desde o dia 11 de Fevereiro de mil quatrocentos e noventa e dois, estou muitas horas de pé no cais e a minha barca é a menos solicitada, estou sem fazer coisa alguma durante muito tempo.


As minhas pernas não aguentam mais, estão cheias de feridas que não param de deitar sangue, até o fundo da barca ficou vermelho, e já gastei as solas dos sapatos de tanto andar para trás e para a frente.


Eu gostaria que Vossa Excelência me definisse um horário para estar no cais, pois preciso de descansar e de tratar as feridas. Também lhe agradecia se me pudesse forneceruns sapatos novos.


Despeço-me, esperando uma resposta com brevidade,


Com os melhores cumprimentos,

António Anjo

terça-feira, 20 de Fevereiro de 2007

O meu fiel amigo: o livro




Quando me propuseram escrever um texto, pensei escrever algo sobre um livro que me tivesse marcado, mas foram tantos os livros que me marcaram de uma ou outra maneira que a escolha tornou-se difícil, pensei desistir…

Sentia-me frustrada…

Palavras como “desistir” e “impossível” não costumam fazer parte do meu vocabulário.

De repente fez-se luz…

Lembrei-me de um artigo de Francisco José Viegas, publicado no Jornal de Notícias a 5 de Junho de 2006 intitulado de “A leitura e a virtude cívica”, mais propriamente de uma afirmação feita por ele: ”ler muito” é bom mas “ler bem” é melhor ainda.

Eu leio muito, costumo dizer que “devoro livros”. Leio bem? Sinceramente, não sei. Alguém saberá? Desconheço.

Agora, posso afirmar com toda a certeza que leio muito. Leio quando me sinto sozinha, triste, aborrecida, alegre, divertida, para ocupar o (pouco) tempo que tenho livre, me entreter, aprofundar os meus conhecimentos a nível profissional e cultural...

O livro é “aquele” amigalhaço sempre presente na minha vida. Na mesa-de-cabeceira está sempre um livro, quando vou ao médico ou cabeleireiro levo um livro para ler na sala de espera, quando vou à praia ou ao campo o meu fiel amigo vai comigo. O livro faz parte da minha vida.
Com um livro por perto nunca me sinto sozinha, triste ou enfadada.

“Ler bem”?! É sentir-me recompensada pelo tempo dedicado à leitura. Um livro conduz a outro, a informação traz novas aprendizagens, outros saberes e culturas, novos saberes permitem uma melhor compreensão do mundo actual.

Quando leio algo que me agrade, espalho aos quatro ventos a minha satisfação, quero à “viva força” que alguém leia o mesmo para depois trocar impressões. Todos, ou quase todos, os livros que li foram uma “escola”, ou seja, de alguma forma ampliaram a minha experiência de vida.

Quando se fala em ler não tem que ser forçosamente um romance actual ou um clássico, o importante é que aquilo que se leia dê prazer e felicidade. Por exemplo, pode-se ler as obras de um escritor famoso, ou algo sobre um lugar que se tenha visitado, livros que relatem a história de um país ou lugar, a biografia de alguém que se admira, documentários, entrevistas, transcrições de experiências de vida, jornais, etc.

Para terminar uma curiosidade, o presidente americano John Adams aconselhou o seu filho John Quincy a ter sempre consigo um livro de poesias explicando que “tendo no bolso um poeta, nunca estarás só” (Revista Selecções do Reader’s Digest, Novembro de 2000) e uma citação de David McCullough: “na nossa vida nada pode enriquecer mais do que um livro”, não podia estar mais de acordo…

Boas leituras.

Carla Faria
(a vossa professora de TIC)

terça-feira, 13 de Fevereiro de 2007

A Isabel, no futuro

O futuro…Será bom? Será mau? É sempre uma incerteza que nos invade, deixando-nos muitas vezes preocupados e inseguros.

Para mim, a vida futura ideal, no que diz respeito ao trabalho, seria eu conseguir entrar na Faculdade de Enfermagem Ana Guedes, no Porto; começar a trabalhar naquilo que eu realmente gosto, que é ajudar e cuidar de quem precisa de mim.

Saindo um pouco do campo profissional, uma vida de sonho seria ainda eu casar-me com uma pessoa que me compreendesse, que fosse companheiro, não nos momentos bons, mas também nos menos bons; que me apoiasse em todas as minhas decisões e, o mais importante, que me aceitasse como eu sou, com todos os meus defeitos e virtudes.

Ter filhos e ter uma boa casa são também sonhos que desejo que se realizem no futuro. Quando digo ter uma boa casa significa um sítio não demasiado grande, mas confortável; cheio de “calor” familiar e principalmente um sítio onde os meus filhos possam trazer os amigos para lanchar e brincar. Pois a meu ver, é muito importante que as crianças tenham espaço para correr, saltar, brincar, para que no futuro possam crescer para se tornarem pessoas saudáveis, para que um dia possam dizer que tiveram uma infância feliz, alegre e não repressiva, nem intransigente.

Em suma, o futuro será como tiver que ser, porém vou lutar e fazer tudo o que for preciso para que os meus sonhos se realizem!

Maria Isabel Carmona Freire de Bastos Loureiro, 9ºC ,14

domingo, 11 de Fevereiro de 2007

O Onzeneiro, visto por Bocage

Manuel Maria Barbosa du Bocage, para além de belos sonetos de amor e dor, escreveu, também ele, sobre um avarento. Ora leiam:

Levando um velho avarento
Uma pedrada num olho,
Pôs-se-lhe no mesmo instante
Tamanho como um repolho.

Certo doutor, não das dúzias
Mas sim médico perfeito,
Dez moedas lhe pedia
Para o livrar do defeito.

«Dez moedas! (diz o avaro)
Meu sangue não desperdiço:
Dez moedas por um olho!
O outro dou eu por isso.»

Sempre bem humorado, o nosso Bocage!

O Onzeneiro, visto por H. Bosch

A propósito do estudo do Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, lembrei-me de vos mostrar este quadro de um muito famoso pintor, Hieronymus Bosch. Chama-se "A Morte e o Avarento". Observem-no com muita atenção, pois está cheio de pormenores interessantes. (Para ver melhor, cliquem na imagem e aparecerá uma ampliação.)





sexta-feira, 9 de Fevereiro de 2007

Um blogue a visitar

Este é um blogue de um aluno cá da escola e que escreve poesia. Vão lá espreitar e deixem comentários se gostarem do que ele esceve e do que ele revela de si mesmo. Clica aqui.

quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2007

Palavras do 9ºA

D. Anrique Ribeiro Gonçalo Gonçalves Telo
Inferno
Subterrâneos Escaldantes da Foz do Rio do Cais

Pai do Céu
Paraíso
Montes Celestiais


Subterrâneos Escaldantes da Foz do Rio do Cais, 2 de Dezembro de 1517.


Ex.mo Deus (quase tão perfeito quanto eu),

Minha senhoria, D. Anrique Ribeiro Gonçalo Gonçalves Telo, fidalgo de solar, escrevo-lhe estas letras pera lhe falar do mau serviço a mi prestado. Nom entendo como alguém tão nobre, tão cortês e mui dado a lavores quanto eu, nom foi pera a salvação.

Fui passado por um bobo que, quisá, nem a oração vai. Permita, salvanor, que lhe diga que ides perder mui esmolas per a mi alma, e tereis a cabeça mui pesada pela mia condenação e que façais serventia do cilício pera castigar tão fraco servo que vossa senhoria tem: um anjo sandeu que, em muitieramá, me interpelou como se fosse um pertencente do povo.

Peço-lhe, assi, com mui cortesia, que me dê a passagem pera o Paraíso (com direito a transporte no vosso melhor batel, marchetado tal como mereço e com dois escravos pera me tratarem).

Espero solamente ver resolvida a mia questão rapidamente,

D. Anrique Ribeiro Gonçalo Gonçalves Telo

A Profª Céu enviou este trabalho originalíssimo, o qual foi realizado pelos seus alunos
Cândida Coelho, nº 4, 9ºA (2006/2007);
Xavier Sousa, nº 20, 9ºA (2006/2007).

P.S. O desafio que aqui deixo é que as palavras do 9ºA se juntem às nossas mais vezes. Ficamos à vossa espera, combinado?

segunda-feira, 5 de Fevereiro de 2007

A viagem de Guanes a Retortilho




... imaginada pela Ângela Costa

Após a descoberta daquele esplêndido tesouro que mudaria a vida dos três irmãos para sempre, Guanes, o mais novo, partiu em direcção a Retortilho com a intenção de comprar mantimentos, cantando a sua velha e triste cantiga:

Olé! Olé!
Sale la cruz de la iglesia,
Vestida de negro luto…

Guanes explodia de alegria e a sua canção era cantada de uma forma tão alegre que nem parecia ter a mesma melancolia. Até que de repente lhe surgiu uma ideia… E se, em vez do tesouro ser repartido por três, ficasse todo para ele? Visto que tinha sido Guanes o primeiro a descobrir o tesouro, era justo que o tesouro fosse apenas para si. Além do mais, toda a vida fora ignorado pelos seus irmãos que o trataram mal e nunca lhe deram nada. Era muito provável que nesta altura estivessem a planear algo contra ele. Mas como os poderia “tirar” do seu caminho? Sendo um homem ambicioso, interesseiro e calculista, procurava encontrar a melhor maneira de os eliminar. Foi então que teve uma ideia maquiavélica. Envenenar os próprios irmãos!

Assim, não partiu para Retortilho apenas com a finalidade de comprar alimentos para eles e para as suas éguas, mas também para tratar do seu futuro, para alcançar uma vida de luxo que nunca tivera.

Após chegar ao seu destino, Guanes dirigiu-se imediatamente a casa de uma senhora, experiente em bruxarias, na esperança que ela tivesse o veneno que pretendia.

Era um lugar escuro e sombrio, rodeado por uma vasta floresta. A casa era bastante velha, com teias de aranha nos cantos do pequeno telheiro que cobria a entrada, havia janelas com vidros partidos, uma autêntica casa assombrada. Amarrou a sua égua numa árvore que se encontrava perto do local e, quando se aproximou da habitação, deparou-se com uma senhora idosa com um aspecto horrível, baixa, de olhos esbugalhados, cabelos brancos, com uma enorme verruga junto ao queixo e toda vestida com roupas pretas. Num gesto impulsivo, Guanes colocou as mãos na grande e afiada faca que trazia no cinto.

– Que quer de mim, meu caro homem? – Perguntou a senhora de maneira inofensiva.

Guanes, mais aliviado mas prudente, tirou vagarosamente as mãos de junto do cinto e aproximando-se da senhora disse:

– Quero um veneno! O mais poderoso e mortal que tiver!

Admirada mas silenciosa, a senhora dirigiu-se à cave, regressando com um frasquinho de vidro que continha um pó branco.

– Coloque o veneno no vinho – disse ela de uma forma assustadora – e verá que resulta!

Cauteloso, Guanes entregou um dobrão de ouro, prometendo-lhe que, caso o veneno fosse mesmo eficaz, lhe pagaria os restantes dois dobrões. De seguida, pôs-se a caminho da loja mais próxima, para fazer as suas compras para que quando chegasse à mata os seus irmãos não desconfiassem de nada.

Depois, soltando fortes gargalhadas, partiu em direcção a Roquelanes. O seu plano estava a correr melhor do que o esperado. Iria ser o homem mais rico de Medranhos! Podia agora comprar terras, palácios por todo o mundo, roupa luxuosa, bordada a fios de ouro e pedras preciosas. Iria ter imensos criados para o servir, muita comida, uma verdadeira vida de rei, aquela que sempre aspirou ter!

Quando chegou à mata, estava longe imaginar que aquela tinha sido a sua última viagem. Dirigiu-se ao local onde se encontrava o tesouro e colocou rapidamente o veneno dentro das botelhas, antes que os seus irmãos chegassem e o descobrissem. Guardou-as rapidamente dentro da sua parte do cofre e após o trancar sentou-se na vereda, atirando aos ramos a sua cantiga costumada:

Olé! Olé!
Sale la cruz de la iglesia,
Vestida de negro luto…

Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente



....representado pela Companhia de Teatro "O Sonho" , no dia 19 de Janeiro de 2006, em Perafita, Matosinhos (distrito do Porto)

Encenação: Ruy Pessoa
Actores: Alexandra Sargento, Ana Castro, Bruno Cunha, Bruno Vitoriano, Catarina Mamede, Dina Santos, Frederico Salvador, João Gualdino, Luís Valente e Ruy Pessoa.

Cenário:
No palco havia duas barcas, a que simbolizava o “Inferno” possuía uma cabeça de um diabo esculpida na proa e tinha desenhadas nas velas umas fogueiras. A barca que simbolizava o “Céu” tinha na proa a cabeça de um anjo esculpida e nas velas estava desenhada a cruz de Cristo. Atrás das barcas, havia uma tela na parede onde estavam pintadas ondas de um mar. Do lado da barca do “Inferno” havia uma tempestade no mar, do outro lado estava um lindo dia e o mar estava calmo.

Personagens:
O Diabo era terrível, malvado e cruel. Usava um casaco e umas calças de um tecido plastificado, vermelho e preto, e uns sapatos com um pouco de salto. O Anjo era calmo e bondoso, estava vestido com um fato branco até aos pés e tinha asas. O Fidalgo era um homem muito caprichoso, aparentava ser autoritário e estava vestido com um enorme manto. O Onzeneiro era muito intriguista, usava roupas de um homem do povo. O Parvo era uma personagem muito cómica, era como uma criança alegre, que só fazia disparates. Usava um fato verde e um chapéu com umas campainhas. O Sapateiro fora um gatuno, era mentiroso e desejava encontrar a sua princesa. Usava roupas típicas de um comerciante daquela altura: uns calções e uma camisola. O Frade era um pecador, trazia consigo uma rapariga grávida e vestia um hábito castanho até aos pés. A Alcoviteira era manhosa, gananciosa e aldrabona, tinha um traseiro muito grande, tinha cabelos vermelhos e usava um vestido igualmente vermelho. O Enforcado estava revoltado e vestia roupas velhas e rasgadas. Os Cavaleiros eram lutadores e corajosos. Tinham um capuz de metal na cabeça, umas calças justas do mesmo material e uma camisola branca com o símbolo da Cruz de Cristo no peito. O Judeu era aldrabão e trazia vestidas roupas de pastor.

Música:
As músicas estavam de acordo com o tipo de personagem, se era uma personagem mais divertida, a música era mais alegre, se era uma personagem mais cruel, o tipo de música era mais “pesada”.


Iluminação:
Na zona da barca do Inferno, as luzes eram avermelhadas; na zona da barca do Céu, as luzes eram claras, em tons de branco. Havia ainda outras luzes a iluminar o palco, mais concretamente as restantes personagens.

Adereços:
O Diabo tinha um tridente; o Fidalgo trazia um servo com uma cadeira às costas; o Onzeneiro trazia uma mala; o Parvo trazia uma espécie de penico de metal; o Sapateiro trazia formas de sapatos; o Frade trazia um escudo, uma espada de guerra e um capacete de metal; a Alcoviteira trazia três caixas de madeira; o Enforcado trazia uma corda no pescoço; os Cavaleiros traziam uma cruz; o Judeu trazia peles de um animal às costas.


A minha opinião sobre o espectáculo:
Na minha opinião, a peça foi bastante divertida, os actores estavam muito à vontade em palco. A escolha dos papéis para cada um dos actores foi bem pensada, cada um dos personagens foi muito bem representado . Uma dos aspectos negativos durante a peça foi que algumas vezes não se entendia muito bem o que era dito pelas personagens.


Gostaria de voltar a ver um espectáculo de teatro?
Gostaria, porque o teatro é algo que me desperta muito interesse, e não foi só agora que fiquei com essa opinião acerca do mesmo. Admiro muito as pessoas que representam, porque não é uma coisa fácil, se algum deles se enganar não pode voltar atrás. Sendo esta uma peça cómica, ainda mais vontade me dá de voltar a assistir outras, de preferência com bons actores, claro!

Opinião de : Ângela Figueiredo Costa,nº: 3, 9º C

segunda-feira, 22 de Janeiro de 2007

A viagem de Guanes até Retortilho



Após a descoberta daquele tão maravilhoso tesouro que proporcionou aos três irmãos uma tremenda felicidade, Guanes partiu até Retortilho com a finalidade de comprar mantimentos.

Calculista, desconfiado, traiçoeiro e de tal forma ambicioso, Guanes, desde o início da viagem, dava voltas e voltas à sua cabeça na esperança de ter uma ideia brilhante para conseguir eliminar os irmãos. Isto porque receava que eles lhe tentassem tirar a sua parte, visto que desde tenra idade os três irmãos se atraiçoavam uns aos outros, e, acima de tudo, porque desejava toda aquela riqueza apenas para si.

Andou por vales e montes, atravessou um rio, mas nada lhe vinha à ideia. Decidiu, então, parar numa encosta para poder pensar com mais calma. Era um lugar sossegado, com uma praia por perto. Ouvia-se o barulho das ondas do mar e sentia-se uma brisa suave. O sol iluminava aquele lugar sombrio e o calor fazia-se sentir. Deitou-se. Pôs as mãos atrás da cabeça e olhava para o céu azul, enquanto o cheiro de flores nunca antes vistas aromatizava aquela zona. De repente, olhou o mar e viu uma garrafa a boiar na água. Foi aí que teve uma ideia: iria pôr veneno em duas garrafas de vinho para que, quando os seus irmãos o bebessem, morressem.

Depois de ter conseguido congeminar este plano, dirigiu-se para o mercado onde compraria as garrafas de vinhos e todo o resto dos alimentos precisos, incluindo o veneno. Demorou cerca de meia hora a chegar ao local. Chegando lá, deixou a égua no exterior do mercado e entrou.
Já no caminho de regresso à mata, sonhava. Imaginava o seu futuro. Era isso que realmente lhe importava, não qualquer tipo de preocupação pelo que ia fazer de seguida, nem qualquer tipo de medo, mas sim o que de bom se lhe avizinhava. Previa um futuro como ninguém algum dia teria: uma mansão em cada canto do mundo e empregados que fariam todos os seus caprichos. Mandaria construir estátuas com a figura dele para embelezar todos os países. Casaria com um bela princesa de cabelos loiros ondulados e teriam filhos com as mesmas características psicológicas que ele, mas com a beleza encantadora da mãe. Iria, também, reconstruir o seu Palácio em Medranhos, para, futuramente, passar os melhores momentos em família. Mal ele imaginava que este sonho acabaria como as folhas que são lançadas para uma lareira.

Aproximando-se da mata de Roquelanes, um senhor de idade, com uma expressão facial mágica e com a barba branca a cair-lhe pelo queixo, disse-lhe calmamente:

- O único tesouro que podemos ter é um verdadeiro amigo. Nada o substitui. Aceita o que te rodeia e aprecia.

- Mas que está você a dizer? – respondeu ele irritado com a filosofia do senhor. Virou costas e seguiu caminho.

De volta a Roquelanes, trazia as compras, enquanto cantava a cantiga do costume:

Olé! Olé!

Sale la cruz de la iglesa,

Toda vestida de negro…


Marta Ventura Costa
9ºC; Nº 14
(Este texto foi produzido com base num desafio colocado a propósito do estudo do conto O Tesouro, de Eça de Queirós. O desafio consistia em imaginar o que pensou e o que fez Guanes, desde que deixou os irmãos para ir a Retortilho comprar mantimentos até que regressou.)

A Marta no futuro...

Eu, no Futuro

Antigamente, com catorze anos, era abordada inúmeras vezes em relação ao meu futuro. Por vezes, os professorem incumbiam-me da difícil tarefa de redigir um texto intitulado “O meu futuro”. Nessa altura, apenas tinha uma certeza: tirar um curso ligado à medicina ou aos computadores, pois uma das minhas paixões desde tenra idade sempre foi o meu computador.

Agora, com vinte e quatro anos, recém-licenciada em Pediatria pela Universidade de Coimbra e após ter enviado o meu currículo para vários hospitais, fui aceite na Pediatria do Hospital de São João, no Porto.

Partilho um confortável apartamento com duas grandes amigas, no Porto e, na maioria dos fins de semana, visito a minha família, na minha terra natal.

Apesar destas mudanças, continuo a ocupar os meus tempos livres como antigamente, mas não com tanta frequência, claro.

Bem, resta-me dizer que, após dez anos de muito estudo e entretenimento, me sinto realizada e prevejo um futuro bastante risonho.

Marta Ventura Costa
9ºC, nº14

sexta-feira, 19 de Janeiro de 2007

Poemas nossos


É uma cor de mar que grita no silêncio,
Uma estrela pousada sobre a areia.




Joana Martins nº15/9ºB

segunda-feira, 15 de Janeiro de 2007

Livros para quem diz que não gosta de ler - 1

Há sempre pessoas que dizem não gostar de ler. Nunca compreendi muito bem o que tal quer dizer: é que, se entrarmos numa livraria ou numa biblioteca, podemos constatar que existem milhares e milhares de livros de todos os géneros. Logo, parece-me difícil que não haja nenhum que agrade às pessoas que dizem não gostar de ler... Por isso, vou fazer aqui algumas sugestões que poderão ser úteis para estas pessoas.

A primeira é a colecção de livros de banda desenhada de alta qualidade "Lucky Luke". Quem é o Lucky Luke? Eu digo. É um "cowboy" calmeirão e rápido no gatilho, mais rápido até do que a sua própria sombra, que se dedica a apanhar os bandidos mais infames do faroeste. E os mais terríveis de todos são os quatro irmãos Dalton que, por muito que façam, acabam sempre na cadeia ou a tentar escapar dela. O meu preferido dos quatro é o Averel, um bandido simpático, mas distraído, e muito pouco convincente no seu papel de terrível fora-da-lei. Eu imagino que, se pudesse escolher, ele preferiria trabalhar numa loja de flores e ser amável com os clientes... Porém, os seus irmãos, sobretudo o minúsculo e irado Joe, nunca lhe darão outra hipótese que não seja a de assaltar bancos e ser preso por isso.

Duas outras personagens de que eu muito gosto são o arguto Jolly Jumper (companheiro indispensável e apenas aparentemente irracional de Lucky Luke) e o Rantanplan - a versão cão do Averel: o cão mais obtuso do mundo, nunca distingue os maus dos bons e, frequentemente, ataca os bons ou torna-se amigo dos maus. O Rantanplan é o cão-de-guarda da prisão onde os Dalton costumam ser encarcerados, contudo passa o tempo a dormir e nunca consegue guardar preso nenhum. Há até aventuras em que é o Lucky Luke que tem que o "guardar" para evitar que ele se envolva em mal-entendidos desnecessários...

Há muito mais personagens divertidos nas aventuras de Lucky Luke, mas não vou falar deles todos. Quando fores às compras ou à biblioteca da escola, lembra-te do Lucky Luke, leva-o para casa contigo e depois conta-nos se gostaste ou não de ler as aventuras do "cowboy" mais valente de todos os tempos.
Sítios sobre esta colecção podem ser encontrados aqui e aqui.

Um Momento Inesquecível, de Nicholas Sparks






Dados bibliográficos
Autor do livro: Nicholas Sparks
Título do livro: Um Momento Inesquecível
Tradutor: Jaime Araújo
Editora do livro: Editorial Presença
Data de publicação: Dezembro de 2005
Número de páginas: 155 páginas

Sobre o autor
Biografia:
Nicholas Sparks viveu a sua juventude em Fair Oaks, na Califórnia, e vive actualmente na Carolina do Norte com a família. Em 1988 licenciou-se em Economia. Curiosamente, o seu sonho era tornar-se atleta de alta competição, aspiração de que teve de abdicar devido a um grave acidente. Iniciou-se a escrever enquanto trabalhava como delegado de informação médica.

Outras obras do autor:
Nicholas Sparks também escreveu O Diário da Nossa Paixão e As Palavras Que Nunca Te Direi.

Sobre a obra
Resumo:
Landon tem cinquenta e sete anos e conta a sua vida há trinta anos atrás, em Beaufort.
Tudo começou quando a escola onde andava organizou um baile e, como ele não arranjava par, foi obrigado a convidar Jamie. Ela era bondosa, tímida e estava sempre a rezar, mas apesar disso aceitou. Começaram a falar cada vez mais e Landon passou a acompanhá-la a casa regularmente, contudo os seus amigos gozavam com ele.
Numa noite, à entrada da casa de Jamie, beijaram-se. Isto marcou o início de um belíssimo amor.
Dias depois, enquanto passeavam, Landon disse-lhe que a amava. Naquele momento Jamie desata a chorar e confessou-lhe ter leucemia! Landon, destroçado, abraçou-a fortemente.
Ela estava cada vez mais magra e pálida e Landon sentia-se impotente. Como a amava demais pediu-a em casamento, que foi celebrado pouquíssimo tempo depois. Jamie acabou por morrer.
Landon, agora mais velho, continua a amá-la como dantes.

Frases a recordar:
"Estou a morrer…"(pág.125)
Escolhi esta citação porque nos faz pensar no que realmente estamos a fazer neste mundo e faz com que demos valor àquilo que temos - devemos viver a vida e desfrutá-la como se fosse o último dia, porque não sabemos se nós vamos ser as "próximas vítimas". Infelizmente, a Leucemia atinge muitas pessoas e, por experiência própria, parece que atinge sempre aqueles que não a merecem mesmo! Como Jamie, que era uma rapariga fora do normal, ajudava tudo e todos e depois era ridicularizada pelos outros. E, quando a sua vida mudou, quando se apaixonou e sentiu o que era ser amada, morreu. Mas acredito que morreu feliz!

"O amor é paciente, o amor é benigno, não é invejoso; o amor não se ufana, não se ensoberbece, não é inconveniente, não procura o seu interesse, não se irrita, não suspeita mal; não se alegra com a injustiça, mas rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" .(pág. 140)
Escolhi esta frase porque Jamie adorava ler a Bíblia e leu lá isto quando estava muito doente. São exactamente estas palavras que descrevem o que é realmente o amor. Ele tem de ser verdadeiramente sentido e, se assim for, ultrapassa todos os momentos menos bons que a vida nos possa trazer.

Comentário pessoal:
Adorei ler este livro. Tem uma linguagem acessível, o que nos permite perceber bem o que o autor nos quer transmitir.
A sua história é fantástica e como o autor nos diz: "No início vão sorrir, e depois vão chorar…" E assim foi, posso dizer que ao lê-lo não consegui conter as lágrimas e acredito que qualquer outra pessoa também não o conseguiria. É um livro apaixonante, comovente, que fala da pureza do amor, de esperança e de amizade, que nos faz abrir os olhos e que nos mostra que o amor não se avalia apenas pelo físico de uma pessoa, mas sim pelo interior!
Esta obra toca-nos profundamente, através das mensagens que transmite. Talvez por Jamie ser boa de mais, não mereceu estar num mundo como este. Foi triste chegar ao fim do livro e saber que eles não ficaram "juntos para sempre", pensar que se eles se tivessem conhecido antes tudo teria sido diferente. O escritor consegue-nos ensinar verdadeiras lições de vida.
Quando acabei de ler esta obra, só me apetecia ler tudo de novo. Aconselho plenamente a sua leitura!

Opinião de Teresa C.

Podes saber mais sobre Nicholas Sparks aqui e aqui.

sexta-feira, 12 de Janeiro de 2007

O Nuno no futuro...

Eu, no futuro, prevejo algo inesperado, diferente, imprevisível, quem sabe?
A minha vida daqui a dez anos pode ser muita coisa, quem sabe se eu ainda estarei vivo? Mas, se estiver, espero conseguir realizar os meus objectivos, que começam por me tornar piloto profissional de automóveis e vencer, vencer e vencer! Quero assim fazer com que os meus pais tenham orgulho no filho que viram crescer e criaram. Uma das coisas que penso vir a ter daqui a dez aninhos é um bom emprego. Não sei bem a área mas daqui a um ano, se tudo correr bem, já haverá uma luz na minha mente!
Quanto à vida amorosa, desejo uma namorada que me apoie nas minhas incertezas e dúvidas e que me torne o homem mais feliz do mundo, este é um sonho em que penso todos os dias. Gostava também de vir a viver num sítio tranquilo, onde se possa ouvir os passáros cantar e ver os pirilampos a piscarem as suas luzes intensas e redondas.
É um futuro como o de outras pessoas, que passa por realizar sonhos, ter uma vida calma, economicamente estável. Tenho uma mente cheia de sonhos para realizar, ou talvez não, só o tempo o dirá!

Texto de Nuno Coelho, 9ºC, nº24

Poesia Escolhida pelo José (9ºC)


A Hora da Partida
A hora da partida soa quando
Escurece o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.

A hora da partida soa quando
As árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.
Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Para ler mais sobre esta autora e a sua obra clica aqui.

Recados da Mãe, de Maria Teresa Maia Gonzalez


Dados Bibliográficos
Nome do autor: Maria Teresa Maia Gonzalez
Título do Livro: Recados da Mãe
Editora do Livro: Verbo
Data da publicação: Fevereiro de 2006
Número de páginas do livro: 156


Sobre o autor
Biografia
: Maria Teresa Maia Gonzalez nasceu em Coimbra, em 1958. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Franceses e Ingleses, pela Faculdade de Letras de Universidade Clássica de Lisboa. Foi professora de Língua Portuguesa, no ensino oficial e particular, entre 1982 e 1997. Tem várias obras editadas, destinadas maioritariamente a um público juvenil.
Bibliografia: A Lua de Joana e O Guarda da Praia

Sobre a obra
Resumo: Clara e Leonor são duas irmãs, de dez e seis anos, respectivamente, que acabaram de receber a notícia da morte da mãe. Estiveram em casa do pai e da madrasta, seguidamente na da avó Matilde até ao internato num colégio. A estadia no colégio e a perda da mãe aproximou ainda mais as irmãs, transformando Clara numa espécie de mãe para Leonor. Assim concluíram os estudos.
Aos vinte e um anos, a decisão de Clara entrar para o pré-noviciado, na Casa das Irmãs Salesianas, para se tornar missionária em África, deixa as duas irmãs tristíssimas, sobretudo Leonor, que apesar de tudo compreendia a vontade da irmã. O sonho de Clara concretizou-se e, após vinte anos de separação, as duas irmãs reencontrar-se-ão, no casamento da primeira filha adoptiva de Leonor.


Frases a recordar:
1)“Não era bem o que eu queria ouvir, mas não foi mau de todo. Fiquei com a esperança de que a relação com a avó Matilde e a tia Amélia melhorasse, ainda que nunca viesse a ser excelente.” (página 135)
Escolhi esta frase, porque a relação da Clara com a avó Matilde nunca fora muito boa e aqui a Leonor fica com a esperança de que ela melhore, o que a deixa bastante feliz.

2)“Como eu queria guardar na memória para sempre todos os momentos passados com a Mãe! Todos! Mesmo os mais banais, embora, com a Mãe nada fosse propriamente banal, porque ela tinha aquele jeito especial para transformar tudo, para dar sabor às coisas que o não tinham, para iluminar os nosso dias, como um sol.” (página 136)
Seleccionei este parágrafo, porque ele nos mostra o valor que as Mães têm e a falta que elas nos fazem.

Comentário pessoal: Apesar dos vários obstáculos na vida destas duas irmãs, elas mantiveram-se unidas e conseguiram ultrapassá-los a todos. Este livro mostra-nos que, se estivermos unidos, a vida torna-se mais fácil.
Gostei de ler esta obra, pois o assunto era interessante e a situação narrada poderia ser real.
Um aspecto de que eu não gostei foi o facto de, no final da história, as duas irmãs ficarem separadas e apenas se verem esporadicamente.


Opinião de Raquel Plácido, 9ºC, nº18

Podes saber mais sobre esta autora aqui.

quarta-feira, 10 de Janeiro de 2007

Exame de Língua Portuguesa - 2007

Já podes consultar, no sítio do Gave, qual a estrutura da prova de exame do 9º ano, bem como a cotação de cada grupo. Clica aqui.

Na página principal deste sítio, podes consultar as provas de exame de 2005 e de 2006 (1ª e 2ªa chamadas).

Poesia Escolhida pela Sara (9ºB)






















Olhando o mar, sonho sem ter de quê

Olhando o mar, sonho sem ter de quê.
Nada no mar, salvo o ser mar, se vê.
Mas de se nada ver quanto a alma sonha!
De que me servem a verdade e a fé?

Ver claro! Quantos, que fatais erramos,
Em ruas ou em estradas ou sob ramos,
Temos esta certeza e sempre e em tudo
Sonhamos e sonhamos e sonhamos.

As árvores longínquas da floresta
Parecem, por longínquas, estar em festa.
Quanto acontece porque se não vê!
Mas do que há pouco ou não há o mesmo resta.

Se tive amores? Já não sei se os tive.
Quem ontem fui já hoje em mim não vive.
Bebe, que tudo é líquido e embriaga,
E a vida morre enquanto o ser revive.

Colhes rosas? Que colhes, se hão-de ser
Motivos coloridos de morrer?
Mas colhe rosas. Porque não colhê-las
Se te agrada e tudo é deixar de o haver?

Fernando Pessoa.


Nota: a Sara também gostou muito das Quadras ao Gosto Popular. Dá-lhes uma espreitadela!

O Nome da Rosa, de Umberto Eco


Dados Bibliográficos:
Nome do autor: Umberto Eco
Título do livro: O Nome da Rosa
Nome do tradutor: Maria Celeste Pinto
Editora do livro: DIFEL
Número de páginas do livro: 500 páginas

Sobre o autor:
Biografia: Umberto Eco nasceu a 5 de Janeiro de 1932,em Itália. É um escritor conhecido pelas suas obras românticas. Além de ser escritor, Umberto Eco foi também filósofo. Trabalhou na RAI e tornou-se editor. Actualmente é professor e presidente da Escola Superior de Ciências Humanas da Universidade de Bolonha.
Bibliografia:
O Pêndulo de Foucault
A Ilha do Dia Antes

Sobre a obra:
Resumo:Esta história é contada por Adso, que narra uma aventura vivida na sua adolescência com o seu mestre, Guilherme de Baskerville. Nesse tempo, ambos foram convidados para um concílio de monges, para investigarem a morte misteriosa de alguns monges. Guilherme e Adso encontraram-se com Umbertino que lhes disse que não era seguro Adso estar ali, pois havia uma rapariga que procurava seduzir todos os monges jovens e belos. Logo depois foram investigar as mortes dos monges. Entretanto, Adso encontrou-se com a rapariga e ficaram ambos apaixonados um pelo outro.
Nos dois dias seguintes, foram encontrados mais dois monges mortos, enquanto Guilherme os observava, reparou que as suas línguas e dedos estavam manchados. Segundo Guilherme, as mortes deviam-se a um livro proibido.
Remígio, a rapariga e Salvador foram presos e iam ser queimados. Ao saber disto, Adso rezou pela salvação a rapariga. No mesmo dia em que os condenados iam ser queimados, Guilherme e Adso foram à biblioteca buscar os livros que provavam tudo e encontraram-se com Jorge (o responsável por todas as mortes e por todos os labirintos da biblioteca) que pegou fogo à biblioteca, acabando por morrer encurralado pelo fogo.
No dia seguinte, quando Adso e Guilherme se iam embora, Adso olhou para o local onde se queimaram os presos e reparou que o tronco onde estava a rapariga estava completamente de pé, ela salvara-se.
Adso e Guilherme começam a sua viagem para Munique, onde Adso se despediu de Guilherme no meio de muitas lágrimas. Aquele nunca mais viu Guilherme, soube apenas que ele veio a morrer numa epidemia de peste.

Frases que me agradaram:

"Senti como uma impressão de desfalecimento, mas naquele momento não conseguia divisar sombra de pecado no meu coração." (pág. 241)
"Mas a cabeça erguia-se altivamente sobre um pescoço branco como a torre de marfim, os seus olhos eram claros como as piscinas de Hesebon, o seu nariz era uma torre do Líbano, as madeixas da sua cabeça como púrpura."

Gostei dessas duas citações, por causa de como Adso descreve a rapariga por quem está apaixonado. Através de belas palavras, fala do que sente, exprime o que vem do seu coração.


Comentário pessoal:
Eu gostei da história, por ter muito mistério e ser muito interessante, mas é também um pouco triste, por Adso se ter separado de Guilherme, por Guilherme ter morrido e por Adso não ter ficado com a rapariga.

Na obra, gostei muito de quando Adso olha para a Abadia a arder, pois o seu mestre está lá dentro e ele fica sem esperança mas, ao ver Guilherme sair do labirinto da Biblioteca, corre para os seus braços como se ele fosse seu pai.
Gostei menos de quando a rapariga foi presa por pensarem que ela fosse uma bruxa.


Opinião de Íris Martins, 9ºB, nº13

segunda-feira, 8 de Janeiro de 2007

Poesia Escolhida pelo Ivan (9ºC)



A Flor, de Almada Negreiros

Pede-se a uma criança: Desenhe uma flor! Dá-se-lhe papel e lápis. A criança vai sentar-se no outro canto da sala onde não há mais ninguém.

Passado algum tempo o papel está cheio de linhas. Umas numa direcção , outras noutras; umas mais carregadas, outras mais leves; umas mais fáceis, outras mais custosas. A criança quis tanta força em certas linhas que o papel quase que não resistiu.

Outras eram tão delicadas que apenas o peso do lápis já era de mais.

Depois a criança vem mostrar essas linhas às pessoas: uma flor!

As pessoas não acham parecidas estas linhas com as de uma flor!

Contudo, a palavra flor andou por dentro da criança, da cabeça para o coração e do coração para a cabeça, à procura das linhas com que se faz uma flor, e a criança pôs no papel algumas dessas linhas, ou todas. Talvez as tivesse posto fora dos seus lugares, mas são aquelas as linhas com que Deus faz uma flor!
NOTA: Clica aqui para conheceres mais poemas de Almada Negreiros e aqui para saberes mais sobre a sua vida.

sexta-feira, 5 de Janeiro de 2007

Apaixono-me Sempre pelo Rapaz Errado!, de Sandra Pinto


Dados Bibliográficos:
Nome do autor:
Sandra Pinto
Título do livro: Apaixono-me Sempre pelo Rapaz Errado
Editora: Editorial Presença
Nº de páginas: 152

Sobre o Autor:
Sandra Pinto nasceu em 1974 e é licenciada em Comunicação Social pela Universidade do Minho.
Apaixono-me sempre pelo rapaz errado! É o seu primeiro livro.

Sobre a Obra:
Resumo
: A Catarina é uma jovem de treze anos que partilha o seu diário com os leitores, mostrando alguns momentos mais marcantes da idade. Aos seus treze anos deu o nome de “idade do azar”. Nesta idade, Catarina acha que tem um pai muito controlador, não gosta do seu corpo, estuda muito para ter boas notas a Matemática e apaixona-se sempre pelo rapaz errado.
No seu diário, Catarina conta todas as alegrias, medos, dúvidas e desgostos que lhe foram preenchendo o ano. É também ao longo deste ano que a Catarina aprende que a vida não é tão fácil como ela pensava, devido ao facto de a sua amiga Natália de quinze anos ter engravidado e devido à repentina doença da irmã, Verónica.

Frases que me agradaram:“Custa-me habituar à ideia de saber que uma rapariga de quinze anos já fez «coisas» de adultos” (pág. 49) . Eu escolhi esta citação, porque a mim também me iria custar a habituar à ideia de que uma amiga minha aos quinze anos tinha ficado grávida. Com tantas informações e métodos contraceptivos acho imperdoável que se engravide sem querer.

Comentário Pessoal: Eu gostei de ler este livro, porque fala das experiências por que uma rapariga passou aos treze anos e alguns dos momentos que ela descreve no seu diário são muito interessantes, porque fala de uma rapariga que ficou grávida muito nova e de como se sentiu quando teve o primeiro namorado.

Opinião de Isabel Loureiro, 9ºC, nº 14